Então São Paulo, Minas e Rio de Janeiro decidiram fazer uma viagem pela América Latina, começando pela Argentina e seguindo pelo Chile, Peru para terminar na misteriosa Bolívia (passando por Foz de Iguaçu em uma parada rápida). Depois dos preparativos iniciais (os famosos como, quanto e onde), mas sem muitos preparativos afinal, partiram de ônibus e mochila.
Ficou decidido que Rio e Minas sairiam de Belo Horizonte, enquanto São Paulo (que na verdade estava em Santa Catarina) sairia sei lá de onde para encontrá-los em Foz , na rodoviária. Não sei direito como foi a partida de SP, que se apresentava como Rodrigo, só podendo realmente comentar de sua parte na viagem efetivamente a partir do encontro dos três, mas sei que o ônibus dele quebrou três vezes durante a viagem deixando-o irritado e aos amigos preocupados com a demora. Porém posso contar exatamente como foi a saída dos outros dois que acordaram bem cedo e foram pegar o ônibus na gelada rodoviária mineira.
Depois da devida despedida com seus familiares (como eles cresceram, cuidado com a mochila etc) se posicionaram nos assentos e puseram-se a reparar nos passageiros, bom, nas mulheres para ser mais exato. Começou, então, uma acalorada discussão sobre a mais bonita, loura, acompanhada pelo namorado, o qual Manata (ou Rio, se preferirem) desejava arduamente que fosse apenas o irmão, deixando à Matheus, como todo bom mineiro, a tarefa de dissuadi-lo com um leve choque de realidade. Mas quem quer viver de realidade?
E se foram, meio dormindo, meio escutando musica, meio mexendo com a mulher de desconhecidos (Manata, claro), até que o semi-carioca (o Rio na verdade é mineiro) resolveu olhar pela janela.
“Bem vindo à Juiz de Fora”
- Matheus, existe outra Juiz de Fora no Brasil?
- Não é aquela mesma.
A viagem ia demorar, afinal...
quinta-feira, 6 de março de 2008
O Encontro Final
Então eles se encontraram, depois do funeral do amigo, para aquela antiga conversa, difícil, mas que fora o último desejo daquele que havia partido, e não podia lhe ser negado. Á mesa cada um pediu sua bebida (uísque com gelo, em geral) e se encararam, pensando o porquê do estranho pedido de Carlinhos, sem se importar muito, afinal o amigo era cheio de pedidos estranhos.
Nem todos se conheciam, o amigo tinha companheiros espalhados por todo sudeste por causa da sua constante mudança de estados, mas sabiam que, de alguma forma, aqueles rostos tristes um dia o haviam marcado profundamente, e que estavam ali sentados somente aqueles a que ele mais prezava a amizade. Uma profunda tristeza se abatia sobre o grupo, era o final, o amigo finalmente partira.
Não que eles não soubessem que ele seria o primeiro a partir, era bem claro que ele não duraria muito nesse planeta, ele mesmo dizia que estava de passagem, e de passagem rápida. Partiu então, aos 37 anos, como que para confirmar a teoria geral de que nunca se irá morrer velho fumando muito, bebendo e dormindo ridiculamente pouco. O amigo se dizia boêmio, talvez o último boêmio real, e por isso pagará seu preço. Mas ainda que todos soubessem sobre como ele vivia, aquele era Carlinhos e o mundo precisa de gente como ele, como “Do Mundo” podia ter morrido?
Eles ainda balançavam as cabeças para os lados, não acreditavam no que tinham acabado de presenciar, com a sensação de que nunca mais poderiam conviver com aquilo. Aquela vida que, de tanto transbordar do amigo, se esvaziou, deixando cinco desconsolados sentados em algum bar no centro do Rio, o bar que o amigo marcou o último encontro.
E se olharam desconfiados mais uma vez, vendo rostos amigos e desconhecidos, pensando qual era a marca que aquele deixará em cada uma dessas pessoas. Constatando que o amigo, afinal, estava ali, no meio das lembranças de cada um, sentado na cadeira vazia do bar, intervindo no meio de uma possível conversa, e entenderam, pela primeira vez, qual era a intenção do estranho ser a quem costumavam chamar de Do Mundo, e sorriram. Ele queria um último encontro afinal.
Nem todos se conheciam, o amigo tinha companheiros espalhados por todo sudeste por causa da sua constante mudança de estados, mas sabiam que, de alguma forma, aqueles rostos tristes um dia o haviam marcado profundamente, e que estavam ali sentados somente aqueles a que ele mais prezava a amizade. Uma profunda tristeza se abatia sobre o grupo, era o final, o amigo finalmente partira.
Não que eles não soubessem que ele seria o primeiro a partir, era bem claro que ele não duraria muito nesse planeta, ele mesmo dizia que estava de passagem, e de passagem rápida. Partiu então, aos 37 anos, como que para confirmar a teoria geral de que nunca se irá morrer velho fumando muito, bebendo e dormindo ridiculamente pouco. O amigo se dizia boêmio, talvez o último boêmio real, e por isso pagará seu preço. Mas ainda que todos soubessem sobre como ele vivia, aquele era Carlinhos e o mundo precisa de gente como ele, como “Do Mundo” podia ter morrido?
Eles ainda balançavam as cabeças para os lados, não acreditavam no que tinham acabado de presenciar, com a sensação de que nunca mais poderiam conviver com aquilo. Aquela vida que, de tanto transbordar do amigo, se esvaziou, deixando cinco desconsolados sentados em algum bar no centro do Rio, o bar que o amigo marcou o último encontro.
E se olharam desconfiados mais uma vez, vendo rostos amigos e desconhecidos, pensando qual era a marca que aquele deixará em cada uma dessas pessoas. Constatando que o amigo, afinal, estava ali, no meio das lembranças de cada um, sentado na cadeira vazia do bar, intervindo no meio de uma possível conversa, e entenderam, pela primeira vez, qual era a intenção do estranho ser a quem costumavam chamar de Do Mundo, e sorriram. Ele queria um último encontro afinal.
terça-feira, 4 de março de 2008
Loucura
A loucura veio para tomar café
Fazia tempo que andava sumida
Conversamos em proza
e dormimos em versos
depois se foi
e eu me casei com uma loura...
Fazia tempo que andava sumida
Conversamos em proza
e dormimos em versos
depois se foi
e eu me casei com uma loura...
Mudou Literalmente o Figurino Cotidiano
Hoje não acordei querendo mudar o mundo
Acordei só
com bois na frente
e carros atrás
chateado, afinal
com meu figurino cotidiano
Hoje não acordei querendo
acordei com dois versos na cabeça
e alguma coisa no coração
Hoje não acordei
abri os olhos apenas
Hoje não
Não
Hoje...
Acordei só
com bois na frente
e carros atrás
chateado, afinal
com meu figurino cotidiano
Hoje não acordei querendo
acordei com dois versos na cabeça
e alguma coisa no coração
Hoje não acordei
abri os olhos apenas
Hoje não
Não
Hoje...
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
A Festa
Ele, então, acabou indo a festa, desde segunda feira o seu amigo lhe chamava e não havia escapatória, já era sábado, e ele foi à festa. Bebidas, petiscos (que ele comeu de bom grado) e música, por que festa sem música não pode nunca ser chamada de festa.
Mas ele não sabia dançar, então se acomodou em uma mesa e ficou a fitar a pista de dança, respondendo aos acenos de alguns amigos e sem esperança de voltar satisfeito para casa. Depois de algumas horas começou a esfriar, e as coxinhas já não eram as mesmas...
Tudo bem, até aquele momento a festa havia saído como ele havia planejado, depois iria para casa dormir, deixando o amigo satisfeito e seu estomago, recheado de coxinhas, também. Mas ele não contava com a aparição dela...
Depois saberia que nem ela pensava em ir à festa, foi chamada na última hora por uma grande amiga e, como ele, não alimentou grandes esperanças quanto a noite. Havia, inclusive, pensado seriamente em dormir às dez horas e acordar cedo para jogar tênis (ela adorava tênis), mas a amiga insistiu e ela acabou colocando sua melhor roupa se dirigindo ao número 59 da Rua Lopez Trovão.
Quisera o destino, as coxinhas e o seu nível alcoólico que ele reparasse nela enquanto olhava para a pista de dança. Claro, primeiramente ele reparou de uma maneira, digamos, não muito nobre (a saia que ela usava era realmente curta), mas aquilo mudou quando conseguiu olhar para aqueles olhos.
Ela era loira, uma loira em que não se consegue achar muitos defeitos, mas foram os olhos que o fizeram apaixonar. Olhos negros, grandes e distantes, que a faziam mais menina, mais humana. Aqueles olhos a deixavam com um aspecto de perdida em meio à selvageria em que vivemos, a faziam parecer pura de mais para o mundo a sua volta. Mas ele nem reparava mais no mundo, quem seria aquela menina?
E, de repente, começou a pensar, como e de praxe cada vez que você se apaixona.
Mas ele não sabia dançar, então se acomodou em uma mesa e ficou a fitar a pista de dança, respondendo aos acenos de alguns amigos e sem esperança de voltar satisfeito para casa. Depois de algumas horas começou a esfriar, e as coxinhas já não eram as mesmas...
Tudo bem, até aquele momento a festa havia saído como ele havia planejado, depois iria para casa dormir, deixando o amigo satisfeito e seu estomago, recheado de coxinhas, também. Mas ele não contava com a aparição dela...
Depois saberia que nem ela pensava em ir à festa, foi chamada na última hora por uma grande amiga e, como ele, não alimentou grandes esperanças quanto a noite. Havia, inclusive, pensado seriamente em dormir às dez horas e acordar cedo para jogar tênis (ela adorava tênis), mas a amiga insistiu e ela acabou colocando sua melhor roupa se dirigindo ao número 59 da Rua Lopez Trovão.
Quisera o destino, as coxinhas e o seu nível alcoólico que ele reparasse nela enquanto olhava para a pista de dança. Claro, primeiramente ele reparou de uma maneira, digamos, não muito nobre (a saia que ela usava era realmente curta), mas aquilo mudou quando conseguiu olhar para aqueles olhos.
Ela era loira, uma loira em que não se consegue achar muitos defeitos, mas foram os olhos que o fizeram apaixonar. Olhos negros, grandes e distantes, que a faziam mais menina, mais humana. Aqueles olhos a deixavam com um aspecto de perdida em meio à selvageria em que vivemos, a faziam parecer pura de mais para o mundo a sua volta. Mas ele nem reparava mais no mundo, quem seria aquela menina?
E, de repente, começou a pensar, como e de praxe cada vez que você se apaixona.
sábado, 26 de janeiro de 2008
Outro blog que o Bruno iniciava - Carlinhos do Mundo
http://cdomundo.blogspot.com/2007/11/o-comeo.html
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Odeio primeiras aulas... elas me fazem ficar entusiasmado com a matéria (as vezes). mas pela minha experiência aquilo nunca corresponde a realidade.
.
.
Vocês andam querendo me pegar
eu sei
Vejo-os nos meus sonhos
em delírios
e 2 me seguir na rua
pois lhes trago boas novas
vocês vão conseguir
Irei me debater
(é certo)
e irei esbravejar
(como não)
mas por fim sucumbirei
e suas famílias festejarão
Vocês vão me pegar
e serei um de vocês
o fogo que minha alma leva agora
será não mais que simples cinzas
Será dito, então, por algum antigo amigo
"Como ele envelheceu"
E vocês sorrirão maliciosos
dizendo que amadureci
com um quê de vitória
Pena, não sabem
que mesmo no dia em que me tornar homem
(homem como vocês consideram homem)
Minha poesia resistirá e influenciará um novo herói
Um herói de verdade
Eu não...
Eu vou ficar preocupado com o salário
a bolsa
e o inss
.
Vocês andam querendo me pegar
eu sei
Vejo-os nos meus sonhos
em delírios
e 2 me seguir na rua
pois lhes trago boas novas
vocês vão conseguir
Irei me debater
(é certo)
e irei esbravejar
(como não)
mas por fim sucumbirei
e suas famílias festejarão
Vocês vão me pegar
e serei um de vocês
o fogo que minha alma leva agora
será não mais que simples cinzas
Será dito, então, por algum antigo amigo
"Como ele envelheceu"
E vocês sorrirão maliciosos
dizendo que amadureci
com um quê de vitória
Pena, não sabem
que mesmo no dia em que me tornar homem
(homem como vocês consideram homem)
Minha poesia resistirá e influenciará um novo herói
Um herói de verdade
Eu não...
Eu vou ficar preocupado com o salário
a bolsa
e o inss
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